Mostrar mensagens com a etiqueta QUESTÕES ÉTNICO-RACIAIS NA EDUCAÇÃO. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta QUESTÕES ÉTNICO-RACIAIS NA EDUCAÇÃO. Mostrar todas as mensagens

09 junho, 2009

Os índios no Brasil

De acordo com as Nações Unidas, de 1986, a definição dos povos indígenas, são aqueles que, contando com uma continuidade histórica das sociedades anteriores à invasão e à colonização que foi desenvolvida em seus territórios, consideram a si mesmos distintos de outros setores da sociedade, e estão decididos a conservar, a desenvolver e a transmitir às gerações futuras seus territórios ancestrais e sua identidade étnica. De acordo com os próprios indígenas as autodefinições são:
  • Continuidade histórica com sociedade pré-colonial.
  • Estreita vinculação com o território.
  • Sistemas sociais, econômicos e políticos bem definidos.
  • Língua, cultura e crença definidas.
  • Identificar-se como diferente da sociedade nacional.
  • Vinculação ou articulação com a rede global dos povos indígenas.
Segundo dados do IBGE, hoje a população está reduzida a pouco mais de 700.000 índios em todo o Brasil, estes índios contabilizados são os índios reconhecidos oficialmente, os residentes nas cidades ou em terras indígenas ainda não demarcadas ou reconhecidas, porém estão fora desses dados os denominados “índios isolados”, ou índios ainda em via de reafirmação étnica após anos de dominação e repressão cultural. De acordo com os dados da FUNASA, essa população indígena está dispersa por todos o território brasileiro, sendo que na região Norte concentra-se o maior contingente populacional indígena. Os povos indígenas brasileiros de hoje são sobreviventes e resistentes da história de colonização européia, estão em franca recuperação do orgulho, da auto-estima identitária e buscam consolidar um espaço digno na história e na vida multicultural do país. Devido aos sentidos pejorativos da denominação indígenas, resultado de todo processo histórico e de discriminação e preconceito contra os povos nativos na região, como, por exemplo, ser sem cultura, sem civilização, incapaz, selvagem, preguiçoso, traiçoeiro, romântico, etc, os povos indígenas brasileiros concluíram que era importante manter, aceitar e promover a denominação genérica de índio ou indígena, como uma identidade que une, articula, visibiliza e fortalece todos os povos originários do atual território brasileiro, principalmente para demarcar fronteiras étnicas e identitária entre eles. Então de pejorativo, a denominação, passou a uma marca identitária capaz de unir povos historicamente distintos e rivais na luta por direitos e interesses comuns. É notório que, enquanto a denominação índio ou indígena era negada pelos povos indígenas por ser pejorativa e desqualificadora, as identidades étnicas particulares também eram negadas ou reprimidas. Após 500 anos de massacre, escravidão, dominação e repressão cultural, hoje, os povos indígenas, respiram um ar menos repressivo, o suficiente para que eles possam reiniciar e retomar seus projetos sociais étnicos e identitários. Culturas e tradições estão sendo resgatadas, revalorizadas e revividas. Terras tradicionais estão sendo reivindicadas, reapropriadas ou reocupadas pelos verdadeiros donos originários. Línguas vêm sendo reaprendidas e praticadas na aldeia, na escola e nas cidades. Rituais e cerimônias tradicionais há muito tempo não praticadas estão voltando a fazer parte da vida cotidiana dos povos indígenas nas aldeias ou nas grandes cidades brasileiras. Apesar disso, o povo indígena tem o desejo de fazer parte da modernidade, não abdicando suas origens, suas tradições e modos de vida próprios, mas por intermédio de uma interação consciente com outra culturas que leve à valorização de si mesmo. Apesar de todas as conquistas que, de alguma forma contribuem para a recuperação do orgulho étnico e a reafirmação da identidade indígena, ainda existem preconceitos contra os índios, muitos deles provenientes da cultura diferente desse povo, esses preconceitos servem, como justificativa para a discriminação e extinção dos índios. O professor deve ser o mediador promovendo ações que valorizem as diferentes etnias e culturas. Ele deve propiciar aprendizagem para que os alunos repudiem todo e qualquer tipo de discriminação, seja ela baseada em diferenças de cultura, raça, classe social, nacionalidade, entre outras tantas.

24 abril, 2009

Mosaico etnico-racial

No enfoque II de QUESTÕES ÉTNICO-RACIAIS NA EDUCAÇÃO: SOCIOLOGIA E HISTÓRIA, realizamos um mosaico etnico-racial, cujo objetivo era sensibilizar os alunos, acerca das diferenças que compõem os grupos familiares e os grupos de convivência. Embora o conceito de raça seja associado ao de etnia, o que às vezes dificulta o entendimento desses conceitos, através do trabalho realizado com os alunos, foi possível oportunizar um entendimento, de que, a etnia compreende os fatores culturais, a nacionalidade, a religião, a língua e as tradições, enquanto a raça compreende apenas os fatores morfológicos, como a cor da pele, constituição física, estatura, traço facial, etc. O termo étnico é fundamental para demarcar que o indivíduo pode ter a mesma cor de pele que o outro, o mesmo tipo de cabelo e traços culturais e sociais que o distingui, caracterizando assim etnias diferentes. Usei como gancho, para dar inicio a este trabalho, a visita que fizemos ao Museu Julio de Castilhos, onde os alunos vivenciaram parte da história dos indígenas, africanos e brancos, a partir desses tópicos abordei o tema das diferentes etnias que surgiram com a chegada dos africanos, espanhóis e portugueses ao Brasil, pois houve uma grande miscigenação, devido a mistura de raças; de povos de diferentes etnias. Em fim, somos um povo fruto de um intenso processo de miscigenação, que gerou uma nação singular com indivíduos culturalmente diversificados. A partir daí começamos trabalhar sobre os grupos familiares dos alunos, suas origens; para isso eles fizeram levantamentos dos dados com os pais, indagando sobre a nacionalidade dos pais; avós; bisavós; etc, os costumes que foram herdados pelos antepassados; comidas; brincadeiras; festas; crenças; etc. O trabalho foi bem dinâmico, envolvendo os alunos de uma forma bem prazeroza, eles fizeram a técnica do auto-retrato, a árvore brasileira; onde registramos as origens dos familiares dos alunos, localizamos a tragetória dos antepassados no mapa, montamos um painel com as fotos dos familiares; cujas fotos foram organizadas em ordem cronológica. Participar desse trabalho foi muito importante para os alunos, pois foi um momento para eles refletirem sobre as características que lhe constituíram e lhe constitui como pessoa e valorizar o que trazem de ancestralidades.